CURSO DE REDAÇÃO

Publicado: 14/02/2011 em Curiosidades

“Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”
(Fernando Pessoa)

Introdução
A razão deste curso é ajudá-lo na criação de textos, seja escolares, profissionais ou até pessoais. Esta pequena apostila foi retirada da Internet e só possui os argumentos principais para a criação de redação. Além de todos os conceitos apresentados nesta apostila, ainda existe a gramática de nossa língua, que é muito importante para se criar textos, como em redação.

Linguagem, Língua e Comunicação
Há distinções de conceitos dentro do processo de comunicação. Desses, destacamos:
- Linguagem: meio de comunicação capaz de exprimir algo.
- Língua: código convencional de uma sociedade usado para o repasse da comunicação.

A Linguagem pode ser:
- Verbal: aquela que utiliza a língua oral (falada) ou escrita. A língua é o mais importante dos códigos.
- Não-Verbal: aquela que utiliza qualquer código que não seja a palavra (seja sonora ou escrita), como a pintura, a mímica, a fotografia, a dança, a música, o teatro etc.

TEXTO
Há dois fatores importantíssimos na formação do texto:

Interdependência: O significado de uma parte não é autônomo, mas depende das outras com que se relaciona.
Combinação de sentidos: O significado global de um texto não é o resultado de simples soma de suas partes, mas de uma certa combinação geradora de sentidos.

Assim, concluímos que, para existir um texto realmente comunicativo não se pode abrir mão de dois fatores:

COERÊNCIA: é a harmonia de sentidos de modo que não haja nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. A base da coerência é a continuidade de sentidos, ou seja, a ausência de contradições. O sentido de uma frase depende do sentido das demais com que se relaciona.

COESÃO: é a ligação de frases por certos elementos que recuperam passagens já ditas ou garantem a ligação entre as partes. Objetiva, também, não permitir que o texto fique cansativo, repetitivo. Trata-se de um fator menos importante porque, em determinadas situações, um texto sem elementos de coesão pode ser compreendido, através do conhecimento prévio (bagagem de conhecimentos que o indivíduo acumula durante a vida) do leitor. Os elementos de coesão são muitos como, por exemplo, as conjunções, os pronomes etc. Veja:

Paulo é professor. Ele leciona Redação. (Pronome)
Aqui está meu livro. Este livro é de matemática. (Pronome)
O aluno estuda muito porque quer passar no vestibular. (Conjunção)
O Brasil é grande e rico, mas seu povo é pobre. (Conjunção)

REDAÇÃO
A partir de agora podemos definir e entender melhor o que seja Redação, como é sua tipologia e o que é importante para aprendê-la, desenvolvê-la e exercitá-la. É óbvio que, dentro de uma língua, as palavras nascem, vivem e morrem, bem como sofrem acréscimo e decréscimos, mudam seus significados etc.; e, tendo em vista essa dinâmica, um texto (principalmente um texto de redação para vestibular) deve se redigido levando-se em consideração o tempo atual, a linguagem moderna. Caso contrário, somente poderá haver texto temporal quando, propositadamente, exige-se num exame a elaboração de uma redação ao estilo literário de outra época, que não seja a do escritor. É inadmissível textos atuais grafando-se as palavras à moda antiga: diphthongo (ditongo), pharmacia (farmácia), thesouro (tesouro), scena (cena), phosphoro (fósforo), bem como deve-se ter cuidado ao usar palavras que tiveram modificados seus sentidos como avião (meio de transporte, “mulher gostosa”), bárbaro (cruel, desumano, “incrível, extraordinário”), bofe (carne ruim para o consumo, “rapaz bonito”) etc. De forma muito simplória, podemos dizer que “Redação é um processo de comunicação que envolve um escritor (emissor) e um leitor (receptor) e, estes, devem estar numa escala de vivência comum para que o entendimento seja perfeito”. Há quem informe que redigir é o complemento natural do pensar, é a exteriorização material do pensamento.
Escrever não é difícil, basta que o aluno conheça a sua língua, saiba usá-la com elegância e correção, pense dentro de parâmetros lógicos, tenha plena capacidade de entendimento de textos, desenvolva seu senso crítico, esteja bem informado sobre diversos assuntos e não tenha receio de criar com as ferramentas fundamentais a todo texto: as palavras.

Leitura = Prazer

O exercício da leitura é o caminho mais rápido para se aprender a redigir

“Muitos camponeses há que de livro só possuem e só conhecem
a Bíblia. Entretanto, leram-na e dela retiraram mais sabedoria, conforto e paz
do que jamais conseguiu um burguês rico extrair de sua luxuosa biblioteca.”
(Hermann Hesse)

Ler, além de ser instrutivo e um excelente exercício mental para o desenvolvimento da imaginação e gravação das normas gramaticais, torna-se um prazer contínuo. A leitura reforça a personalidade, acresce o vocabulário das pessoas e faz com que possam se desligar da realidade. É, para muitos, um prazer tão grande que torna-se um algo maior na vida de um povo culto.

OBS: Durante o exercício da leitura são imprescindíveis as consultas a um bom dicionário. Desta forma, conhece-se novos vocábulos e familiariza-se com outros. Nunca leia um livro sem o dicionário ao seu lado.

Tema e Título – Distinções Necessárias
Antes de iniciar o processo da redação, o redator tem de ter em mente o objeto de sua escrita e o nome que dará a este objeto. O objeto sobre o qual recairá o seu texto é chamado de tema, que pode ser entendido, a grosso modo, como assunto. Sobre o tema, poderá o redator impor outro elemento – o título – caso não opte por manter o próprio tema como título (tema-título).
Do que se disse deduz-se que tema = assunto; título = nome que se dá a este assunto. Ex: Tema: “O aniversário de 500 anos do Brasil”. Título: “Brasil 500 anos”.

Paragração: construindo parágrafos
A linguagem escrita de um texto em prosa manifesta-se através da paragrafação, ou seja, realiza-se por meio de estruturas grandes ou pequenas que contém idéias e/ou pensamentos diferentes mas ligadas pelo conteúdo maior contido no tema. O parágrafo tem como estrutura uma idéia central à qual se acrescentam outras que a completam. Essa idéia é representada por uma ou mais frases que formam o tópico frasal (idéia-núcleo). Lembre-se: “O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve alguma idéia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela”.

A Redação e suas qualidades
Um bom texto só é bom porque possui qualidades, que são muitas. Dentre as de maior relevância, destacam-se:
- Concisão: significa que não devemos abusar das palavras para a expressão de idéias. Há que ser direto, não ficar “enrolando”, “enchendo lingüiça”. Concisão é o oposto de prolixidade;

- Correção: a linguagem utilizada no texto deve estar de acordo com a normal culta, ou seja, de acordo com as regras gramaticais. Os erros são incabíveis, não valendo para justificá-los um erro maior do tipo informar que “Herrar é umano”;

- Clareza: consiste na expressão da idéia de forma que possa ser rapidamente compreendida pelo leitor. É ser coerente, não contradizer-se, não “ir e voltar com a idéia proposta”;

- Elegância: é a criação de um texto agradável ao leitor, fugindo-se do formato da fala coloquial, cotidiana. Uma coisa é a comunicação falada, outra, a escrita. – Paragrafação: a redação é fragmentada por parágrafos e cada um deles deve conter uma idéia, um assunto enfocado para que não haja mistura de pensamentos, tornando a escrita de difícil compreensão;

- Coerência: as frases e orações devem estar interligadas formando um todo coerente (lógico), sem construções emboladas de sentido ou de sentido contraditório.

A COERÊNCIA é muito importante ao texto, pois é através dela que se tem o perfeito entendimento dele. Uma escrita incoerente causa deturpações no entendimento, podendo até mesmo oportunizar um entendimento contrário daquele que se quis passar. As incoerências podem nascer da falta de conhecimentos gramaticais ligada ao uso indevido das classes gramaticais como conjunções, preposições, pronomes etc, como também, serem frutos de falhas na interpretação de textos que, à medida que vão ocorrendo, tornam-no cada vez mais incoerente.

O formato da Redação
Tecnicamente, uma redação se compõe de:
1 – Introdução (Começo): é o início do texto, espaço destinado ao resumo do tema (assunto) a ser tratado. Deve conter a idéia central do texto. Há que ser muito bem elaborado, pois causará a primeira impressão ao leitor. E, como diz o ditado popular: “A primeira impressão é a que fica”. Um ou dois parágrafos poderão ser suficientes. Tudo dependerá do tamanho da letra do redator e do número de linhas solicitado no concurso vestibular. É o rosto da redação;

2 – Desenvolvimento (Meio): parte do texto destinada à elaboração dos pontos de vistas positivos e/ou negativos sobre o tema. É o momento no qual o redator irá expor todo seu conhecimento sobre o tema, passando para o leitor a idéia de que conhece bem sobre o que escreve. As incoerências e contradições são terminantemente proibidas. É o corpo da redação, portanto, maior que a introdução e o término. Quatro ou seis parágrafos poderão ser suficientes, dependendo do tamanho da letra do redator e do número de linhas escritas exigido;

3 – Término (Fim): é também denominado de “Conclusão”. Optamos pela termo término pois, entendemos, que nem toda redação pode finalizar-se em conclusão. Há textos que possuem desfecho perfeito que não são conclusão mas apenas uma informação a mais sobre o tema. No término temos a oportunidade de emitir uma opinião pessoal, subjetiva ou, dependendo do tema (assunto), não opinar, “saindo pela tangente, ficando em cima do muro”, utilizando recursos do tipo informar que “o assunto requer maiores estudos, uma gama maior de conhecimentos especializados, sendo cedo para uma conclusão definitiva”. Mas, é importante salientar que, somente poderemos fugir à emissão de uma conclusão, caso a prova do concurso vestibular não obrigue à emissão de uma opinião. O término é muito importante, pois levará o leitor a ter uma idéia do potencial criativo do escritor no último momento da escrita. Deve ser menor que o desenvolvimento e comparável, em tamanho, à introdução. Um ou dois parágrafos poderão bastar; o tamanho da letra do redator e o número de linhas escritas exigido são os determinantes do número de parágrafos.

Elementos Formais da Redação
1 – Os alinhamentos: são as marcas de delimitação do texto, formando as margens esquerda e direita (marcas delimitadoras de texto), os vazios existentes antes e depois da escrita (marcas iniciante e finalizadora). Elas, quando bem utilizadas, mostram ao examinador que o redator têm noção estética em relação ao formato do texto que criou, encaixando-o corretamente no papel, de modo a agradar a vista de quem o vê;

2 – Centralização do título: o título, seja ele uma única palavra, uma expressão, ou mesmo uma frase, deve ser centralizado, de forma que tenha a mesma distância de vazio entre a margem direita e a esquerda. Não se deve utilizar marcas sob, ou antes, ou depois do mesmo, como riscos, desenhos etc. É também ideal que se deixe (caso o número de linhas exigido permita) um espaço equivalente a uma linha entre ele e o início do primeiro parágrafo;

3 – Letra legível: o sinal gráfico utilizado (letra) deve ser bem legível, bem desenhado para que não confunda o examinador que, certamente, não terá tempo de ficar “decifrando hieróglifos” devido ao grande número de redações a examinar. A letra não deve ser nem muito grande nem tão pequena. Adequá-la a um meio termo é o ideal.

Os defeitos de um texto
Ao se redigir um texto, deve-se preocupar com a escrita correta. Ao terminá-lo, necessária se torna uma ou mais leituras para identificar os erros e os defeitos do mesmo. Dentre os defeitos mais comuns, destacamos:

Ambigüidade: a frase ou oração redigida apresenta mais de um sentido: Pedro preferiu ficar com Joana em casa e Alice saiu com sua irmã. (Irmã dele ou dela?), o caçador matou o leão (quem é o sujeito e quem é o objeto?), o cachorro do meu vizinho morreu (cachorro é o ser humano ou o animal?), o policial prendeu o ladrão em sua casa (casa de quem?), correndo pela praia de manhã, os meus pulmões respiram melhor (quem corre de manhã pela praia?), hoje eu peguei o ônibus correndo (quem corria?), Caio, escutei Euzébio gritar pelo seu irmão (irmão de quem?);

Obscuridade: acontece, geralmente, quando são criados períodos muito longos, que produzem uma falta de clareza: “Encontrar a mesma idéia vertida em expressões antigas mais claras, expressiva e elegantemente tem-me acontecido inúmeras vezes na minha prática longa, aturada e contínua de escrever depois de considerar necessária e insuprível uma locução nova por muito tempo.”;

Pleonasmo: é a repetição desnecessária de um termo: “Vamos subir para cima e ver a cidade”; “Percebo que a brisa marítima me faz bem”; “Assustado, ele percebeu a hemorragia de sangue no ferimento”, “A bola saiu para fora do campo”, “Ele detém o monopólio exclusivo do petróleo”, “Todos foram unânimes em aprovar o projeto”;

Cacofonia: acontece quando, na formação da frase ou oração, as palavras formam sons desagradáveis pela união das sílabas finais de uma com as iniciais das outras: “Durante a leitura do testamento, uma herdeira sujou o chão da sala”; “Hei, nunca gaste aqui”; “Eu vi ela na rua correndo”, “Pelé pediu a bola e Cafu deu”, “Deixe-me ir já, que está pingando.”, “Polícia Federal confisca gado de fazendeiros”, “O padre assistiu a moribunda”, “O ladrão, ao perceber que havia gente na casa, passou acerca dela”, “Se eu cozinho, eu não lavo, se eu lavo, eu não cozinho”, “Choraremos por cada, choraremos cada derrota”, “Ela tinha furada a sua orelha”, “E ele havia dado muito”, “Uma mão consola”, “Apaixonado, ele vai-a seguindo”, “Galo perde e América ganha”, Meu coração por ti gela;

Eco: é a repetição contínua de palavras finalizadas pelo mesmo som: “A mansão do anão foi ao chão durante a escuridão”; “O aluno repetente mente alegremente”, “o vento veloz varre a várzea com violência e voracidade”.

Os tipos de Redação
A divisão da Redação em três tipos é puramente didática pois, na realidade, raramente uma redação será realizada exclusivamente com apenas um tipo de texto. E como exemplo dessa raridade podemos citar as descrições técnicas. A Tipologia Redacional compõem-se de narração, descrição e dissertação.

Narração
É definida como a narração de um fato, um acontecimento, envolvendo personagens, cenário e tempo; uma exposição escrita ou oral de um acontecimento real ou imaginário. Narrar é contar um acontecimento, colocando os fatos numa devida ordem, sem repetir os acontecimentos e as circunstâncias. Há, nela, verbos indicando movimento, dinamismo, passagem de tempo. Enfim, narrar é contar, é relacionar situações e personagens no tempo e no espaço, é perceber o que aconteceu, o que poderia ter acontecido e relatar, repartir com os leitores ou ouvintes as histórias de nossa história. Diz-se que uma narrativa é completa quando responde às seguintes perguntas: Quem? O quê? Onde? Quando? O professor Alpheu Tersariol exemplifica tal conceito: “Elias, o diretor (quem) repreende (o quê), todos os dias (quando), na repartição pública (onde), com gestos e palavras (como), a seu colega de trabalho (a quem), que chega sempre atrasado (porque), deixando-o humilhado (por isso). Assim tem-se a relação: quem = protagonista e/ou antagonista, o quê = o fato em si, como = o modo como se deu ou se desenvolve o fato; quando = a época, o momento do fato; onde = o lugar em que ocorre o fato, porque = a causa, o motivo e, por isso = conseqüência.

Era uma vez um som que invadiu o mundo. Eram gritos que lembravam as guerras e as atrocidades dos homens. Era algo ruim que incomodava as pessoas, entrava nas casas, furava os ouvidos. Meses depois, assim como aparecera, o som sumiu e nunca mais voltou. E o mundo tornou-se melhor, pois os homens nunca mais foram os mesmos.

Descrição
Descrição é a forma de se reproduzir a natureza, os fenômenos, os objetos, as pessoas, os fatos e as sensações, levando o leitor a ver e a sentir o que se pretende. É o retrato verbal-gráfico das coisas visíveis e invisíveis. Nela, há o predomínio dos verbos de estado e não de ação, sendo que a relação verbal não estabelece uma progressão. Descrever é caracterizar uma cena, um estado, um momento vivido ou sonhado através de nossa percepção sensorial e de nossa imaginação criadora. A visão, o tato, a audição, o olfato e o paladar constituem a base da descrição.

Era alta e esguia, de pernas longas e seios sensuais. No rosto, lindo, brilhavam olhos acesos num verde acentuado. A boca era todo um convite para longos beijos. Uma deusa. Alegre, possuía ainda forte personalidade e inteligência encantadora. Ela fora o motivo de meus sonhos eróticos na infância.

Dissertação
É o mais importante tipo de Redação e, salvo exceções raras, é a modalidade exigida nos concursos vestibulares. Dissertar é realizar um exame crítico e minucioso de uma questão, através de uma seqüência de conceitos e opiniões. Objetiva instruir e instruir-se, demonstrar tudo o que sabe sobre o tema enfocado, seus pontos positivos ou negativos, podendo-se realçar a idéia usando-se, ainda, textos narrativos e textos descritivos. Enfim, é expor idéias sobre um assunto, desenvolvê-las através de raciocínios encadeados logicamente para se chegar ao término, com ou sem conclusão. Caracteriza-se pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista. Ou então, pelo despertar do questionamento acerca de um determinado assunto. Tudo é tratado em tese e genericamente, fazendo-se abstração do tempo e do espaço, não havendo no texto progresso temporal. Dissertar é expor opiniões, pontos de vista, fundamentados em argumentos e raciocínios baseados em nossa vivência e conhecimento, nossas leituras, nossas posturas, nossas conclusões a respeito da vida, dos homens, de nós mesmos.

Redigir não pressupõe, somente, ter conhecimentos gramaticais da língua que se fala. É um pouco mais: há que se ter idéias ordenadas, lógica na construção das frases e um potencial considerável de cultura. Não se pode pensar no exercício da escrita sem buscar a criatividade. Escrever é, pois, criar com a língua, a gramática, as idéias ordenadas e as orações lógicas, expondo nosso conhecimento sobre o assunto.

“Enxugando” a Redação : Os mandamentos para se fazer uma boa redação
Para a realização de uma boa redação, o escritor tem que estar atento ao seu processo criativo, preocupando-se, durante todo o tempo da escrita, com a clareza, a objetividade, a elegância e o uso correto da língua. Não se deve esquecer durante o exercício da escrita de certos detalhes:
0 – Ao receber a folha oficial para confecção do texto, tenha como prioridade a assinatura de seu nome completo no devido campo (nunca em letra de forma). No caso de ter de abreviá-lo, abrevie somente os nomes do meio, nunca o prenome e o último nome;
1 – Mantenha os alinhamentos das margens direita e esquerda;
2 – Centralize o título e não coloque nenhuma marca antes, depois ou sob ele;
3 – Redija com letra legível e de tamanho que facilite a visualização;
4 – Nunca construa frases incompletas ou de significação vaga e imprecisa;
5 – Leia e releia o que se escreveu, observando se há, no texto, elementos de coesão e, principalmente, coerência;
6 – Atente-se para o uso correto da partícula “se” e das conjunções, bem como das palavras onde (= lugar), aonde (= em direção a um certo lugar); das palavras menos; mais, más e mas; às vezes, as vezes; do verbo haver e da letra “a”; das expressões afim (semelhantes) e a fim (ter como objetivo); do pronome relativo cujo, que indica relação de posse e do uso da palavra “porque”;
7 – Proíba-se do uso do verbo “achar” no sentido de “pensar”, como ocorre na linguagem coloquial, bem como do verbo “ter” significando existir, ocorrer;
8 – À cada mudança de assunto, abrir novo parágrafo (paragrafação);
9 – Evite o uso excessivo dos verbos ser, estar, ter e haver;
10 – Caso tenha de usá-las, gírias e palavras estrangeiras devem ser grafadas entre aspas;
11 – Tenha muito cuidado ao usar a partícula “que” para não incorrer em erro, devido às múltiplas funções que a mesma assume. Ela, ainda, dá margem à construção de parágrafos demasiadamente longos, o que pode “embolar a idéia”. O “que” está para a escrita como o “aí” está para a fala e, em excesso, causa péssimo efeito;
12 – Excetuando-se as siglas já consagradas, a abreviação é incabível em texto, portanto são incorretas grafias do tipo p/ (para), pqe (porque), c/ (como), qdo (quando). A abreviação de palavras é proibida, escreva-as letra por letra;
13 – Toda frase, pensamento, máxima etc., de autoria alheia, deve ser colocada entre aspas, ou, se assim não se quiser proceder, deve-se citar o nome do autor;
14 – De posse do tema a ser redigido, grife suas palavras-chave e redija o texto em torno delas, mantendo a fidelidade a ele durante todo o processo da escrita;
15 – Faça uso de sinônimos e de outras palavras (ou mesmo expressões) de retomada de termo evitando-se a repetição de palavras, o que denota pobreza de vocabulário;
16 – Em seu texto, evite o uso de expressões muito corriqueiras e chavões populares como “era uma vez…, desde os primórdios da humanidade…, o tema citado nos leva a crer que…, não é de hoje que esse tema é objeto de polêmica…, esse tema não é nada mais nada menos que…, … mas sabemos que cada um carrega a sua cruz…, … e concluímos que no fundo no fundo…; … por isso sabemos que o coração humanos é terreno desconhecido…, … isso é sinal de que…, em primeiro lugar eu acho que…, no meu ponto de vista esse tema…;
17 – Não use a redação para difundir idéias, filosofias e conceitos políticos, religiosos e filosóficos; 18 – Não exagere no ato de se emitir opiniões, mesmo porque elas podem não ser corretas;
19 – Evite o uso de apostos desnecessários, pois eles aumentam os períodos. Economizar palavras é o ideal para se errar menos;
20 – Tente ser imparcial em relação ao tema; se não conseguir, seja pelo menos comedido;
21 – Dê título à sua redação, seja repetindo o já proposto ou criando um, caso o exame o exija. Na dúvida, no momento do exame, questione o examinador sobre como proceder;
22 – Limite-se a escrever o número de linhas solicitado, nunca mais nem menos;
23 – Para evitar a repetição de termos, você poderá, também, lançar mão das figuras de linguagem. Ex: No céu, dois fiapos de nuvens (elipse); Nem ele entende a nós, nem nós a ele.
24 – Evite fazer perguntas em sua redação. Dissertar quer dizer explicar, argumentar e não perguntar;
25 – Muito cuidado com o uso da palavra “coisa” que, geralmente, possui semântica vazia. Tal palavra fala mas nada diz;
26 – Desenhe os sinais de pontuação próximos à última letra da palavra que os antecede, como se eles fizessem parte delas;
27 – No processo de separação silábica para translineação, o hífen não deve ser repetido no início da linha seguinte caso a palavra não seja composta;
28 – Não rasure a redação criando borrões. Ao passar a limpo, do rascunho para o original, evite errar, e, caso erre, apague o erro com suavidade, tornando a correção imperceptível a olho nu;
29 – Não utilize a redação para ficar dando conselhos ao leitor. O texto deve ser imparcial;
30 – Ao redigir o encontro vocálico (ditongo nasal) “ão”, coloque o til sobre a vogal “a” e não sobre a semivogal “o”, que nele soa como “u”;
31 – Não inicie parágrafos com palavras usadas no início de parágrafos anteriores;
32 – Não crie o primeiro parágrafo (introdução) copiando o próprio título;
33 – Não coloque ponto final em seu título; ele poderá ter todos os sinais de pontuação, exceto o ponto final;
34 – Após terminar a redação, leia-a baixinho, de forma que somente você ouça, para conferir a pontuação;
35 – Caso o tema seja ditado pelo fiscal de prova, e não escrito como é normal acontecer, observe a entonação de voz para identificar se é uma afirmação ou interrogação.

por Paulo Antunes

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